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Diário de Viagem
Um quarto assustador
Por Má   
19 de janeiro de 2007

Quando chegamos em Udaipur, diferentemente da maioria das vezes tínhamos uma reserva. Queríamos ficar num lugar legalzinho, sem ter que ficar no pior quarto do hotel ou ficar trocado de quarto todo dia, como aconteceu em Pushkar.

Chegando lá nos decepcionamos um pouco. Chegamos a noite e apesar de também ser uma Raveli, com até uma piscina no meio, o prédio era estranho.

Uma decoração digna de festa junina com bandeirinhas coloridas e também alguns altares hindus davam um aspecto estranhamente colorido, apesar de pouco iluminado ao lugar.

Fomos muito bem recebidos. O carinha do hotel nos perguntou se éramos casados e falamos que sim, então ele nos disse que ficaríamos no "melhor quarto do hotel".

Durante o caminho fomos percebendo que aquela raveli estava meio modificada e que a estrutura original era quase irreconhecível, com vários puxadinhos. Quando estávamos prestes a entrar no quarto o carinha disse para fecharmos os olhos e nos prepararmos: estávamos prestes a entrar no melhor quarto de toda a índia (nas palavras dele).

 

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A cidade mais legal do Rajastão
Por Má   
15 de janeiro de 2007

Para chegar em Pushkar precisamos pegar 2 ônibus locais. No entanto, mesmo com as malas e as multidões a viagem foi bem tranqüila. Chegamos na vila e fomos direto para a primeira "Budget Option" de nosso guia. No caminho, passamos por ruinhas estreitas e cheias de vacas, e pessoas (pra variar) e não encontrávamos o hotel no meio do labirinto. Depois de uns 15 minutos andando com as mochilas nas costas, encontramos o hotel... Bem sem-vergonha e sujinho, não sei como era a primeira opção... Mas até aí se fosse barato, estava valendo. O cara queria nos cobrar muito mais do que o quarto, apesar dele dizer ser o melhor quarto do hotel e a melhor vista da cidade. Por o preço que ele queria, a gente conseguia achar algo bem melhor, então enquanto eu fiquei no quarto com as malas, vendo as pipas no céu (era o festival de pipas da cidade), o Rafa foi dar uma olhada num outro hotel, do outro lado da cidade (mas a cidade é pequena). O Rafa voltou depois de uma meia hora dizendo que o lugar era muito louco. Pegamos nossas malas e simplesmente falamos que tínhamos mudado de idéia.

Chegando no outro hotel, nem podia acreditar... Uma casa antiga, típica do Rajastão, bem decorado e super aconchegante, toda branquinha com uma área aberta no meio. Ficamos na hora! O quarto era melhor ainda! Super aconchegante, com abajures-lanterna e livros na estante. Nos sentimos muito bem lá. O problema era que eles só tinham disponibilidade para um dia, e por isso ficamos torcendo para a pessoa que já tinha reservado o quarto, não aparecer no dia seguinte. O restaurante do hotel ficava no topo, e de lá tínhamos uma vista muito legal. O restaurante era mais gostoso ainda, musica ambiente e dois cachorrões fofinhos (um labrador e outro peludo) que ficavam por ali esperando algum turista dar um lanchinho pra eles. O melhor: o quarto era exatamente do mesmo preço do hotel anterior! Felizes com a mudança fomos comer e ver o por do sol no lago sagrado.


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Cores, mercados e uma pausa pra um cineminha
Por Má   
13 de janeiro de 2007

Chegamos em Jaipur já a noite e fomos para o hotel, que era o primeiro da lista do nosso guia. Chegando lá só havia um único e minúsculo quarto sem banheiro disponível, ficamos chateados, mas como estávamos super cansados e sem disposição para procurar outro lugar acabamos ficando.

O hotel era super gostoso, todo decorado com artes locais do Rajastão. O restaurante, que ficava no topo do prédio era incrível. As cadeiras metálicas pareciam ter sido feitas manualmente por algum artesão e formavam um kit temático com a mesa, cada kit era diferente um do outro, mas ao mesmo tempo bem harmoniosos.

O nosso quarto era realmente muito apertado, mas valia pena ficar lá só pra curtir o hotel. Pensando pelo lado positivo, era bom pois economizávamos grana. As vezes quando olhávamos os outros quartos ficávamos chateados, pois parecia que o nosso era o pior do hotel, que era tão gostoso. Provavelmente tinha sido o hotel mais legal da viagem até agora.

No dia seguinte fomos fazer o city-tour básico: palácio do Maharaja, que mora até hoje por lá, e também fomos ver um lugar muito legal, um observatório astronômico que foi construído há 200 anos atrás por um Maharaja que era meio intelectual e inclusive fazia o mapa astrológico de toda a família. Fizemos o passeio com um guia que ia nos explicando como funcionavam cada um dos instrumentos, que eram verdadeiras construções de concreto. Foi bem interessante.

Passamos também por uma outra construção bem diferente que é o cartão postal daqui. Trata-se de um "observatório"de pessoas. A finalidade do prédio era permitir que a família real pudesse bisbilhotar a vida alheia, bem com observar as procissões religiosas nas ruas sem serem vistos. Por causa disso o prédio possui varias janelinhas pequenas e um outro tipo de janela que é uma parede vazada, com desenhos geométricos que para quem vê de fora é muito bonito.

Talvez a idéia do Maharaja era de que ninguém soubesse que ele estava ali, e que aquela era só uma bela construção de seu palácio. Talvez por isso, o prédio é até mais bonito por fora do que por dentro.

Depois da parte cultural, hora das compras!! Jaipur é um dos melhores lugares na índia para comprar bugigangas e coisas legais. O mercado de rua é muito colorido e confuso e passamos boas horas barganhando por lá.


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Stress a caminho do Rajastão
Por Má   
10 de janeiro de 2007

Saímos de Agra e no caminho para Jaipur ainda paramos num forte medieval chamado Fathepur Sikri. Chegamos na cidade e deixamos nossas malas grandes num restaurante.

Meio preocupados com as malas saímos mesmo assim em direção a uma das maiores mesquitas da índia.Nosso caminho pareceu familiar, lembramos muito os bazares islâmicos que vimos em nossa passagem pelo oriente médio. A chegada foi cansativa. Uma escada com vários degraus era o único acesso ao complexo, que alem da mesquita - que os locais diziam ser cópia de Mecca, o que é de veracidade duvidosa - ainda tinha um mausoléu e um cemitério. Outra lorota que nos contaram (sem a gente pedir, é obvio) é que havia um túnel que ligava a mesquita ao forte de agra, por onde o rei podia viajar em segurança em cima de seu cavalo. Detalhe: em linha reta aqui fica a mais de 50 quilômetros de lá....

Saindo da mesquita visitamos o forte-palacio, onde o imperador morou durante um tempo. Esse imperador era bem inteligente, em sua corte haviam diversos filósofos, músicos e pensadores da época, que moravam dentro do complexo simplesmente para satisfazer a vontade do imperador em discutir questões filosóficas de alto nível.

Mais uma vez nossa parada na cidade era só um break em uma viagem, e por isso estávamos correndo para dar tempo de pegar o ônibus para Jaipur.

Depois de um delicioso Thali - que é o PF deles aqui - na hora de voltarmos tivemos que pegar uma carroça (isso mesmo, movida a cavalo) até o lugar onde passava o ônibus. Ninguém sabia nos dizer se o ônibus passava lá ou não e por isso ficamos andando que nem barata tonta com as malas pesadas nas costas, e é obvio brigando um com o outro por causa disso.

Quando enfim conseguimos pegar o ônibus, graças à ajuda de uns carinhas que perceberam que estávamos perdidos, o ônibus estava lotado, e não tinha nem ao menos lugar pra gente sentar, quanto mais para colocar as malas.

O Rafa já estava se preparando pra ouvir um monte, afinal tinha sido dele a idéia de parar naquela cidade, quando um carinha gentilmente cedeu o lugar dele pra gente e ainda nos ajudou a colocar as malas num "espacinho" que tinha lá. Eu ainda estava brava com o Rafa, mas pelo menos agora estávamos sentados.

Ficamos surpresos com a atitude desse carinha. Aqui na índia todo mundo é tão mal-educado, empurra, fura-fila, e ao mesmo tempo aparecem essas pessoas tão gente boa que é até difícil de acreditar. Não da pra colocar todo mundo no mesmo saco. Acho que essa história de karma tem a ver...

 
Grande, branco... e mágico
Por Má   
09 de janeiro de 2007

Depois de um dia inteiro de viagem, chegamos em Agra. Arranjamos um hotel legalzinho onde jantamos e passamos a noite.

No dia seguinte acordamos não tão cedo assim e por causa disso o Rafa ficou meio bravo, afinal era um dos grandes dias da viagem e deveríamos ter começado o dia cedo.

Ao invés de ir direito ao ponto, preferimos conhecer os outros monumentos, já que se fossemos direto para o Taj, esses outros lugares perderiam totalmente a graça.

Visitamos o Baby Taj, que é um outro mausoléu de mármore, visitamos também o Agra Fort, que é enorme, mais legal que o de Delhi e ainda por cima tem vista pro Taj Mahal (foi a primeira vez que vimos o Taj - e bem de longe).

Nisso gastamos uma graninha, afinal a cidade é muito turística e os estrangeiros pagam um preço absurdo - muito maior que os indianos - para entrar nos lugares.

Voltamos para o hotel para deixarmos tudo lá. No Taj só é possível entrar com a câmera fotográfica e nada mais. Chegando na fila percebemos que no ticket haviam fotos dos outros monumentos que já tínhamos visitado, e que também apesar do ticket do Taj Mahal ser o mais caro de todos, ele aparentemente dava direito a entrada livre para os outros monumentos. Não podíamos acreditar... Tínhamos gastado pelo menos uns 15 dólares a mais por causa disso e isso aqui é muita grana. Nessas horas fico com raiva das injustiças da vida. Economizamos tanto, barganhamos cada centavo com os indianos pra acontecer uma coisa dessas. Que saco!

Subitamente fomos separados para uma revista detalhada. Foi o primeiro lugar aqui na índia onde fomos revistados e logo depois já estávamos dentro da área do Taj. Estávamos bem putos e chateados com a historia do ticket, até por que não lemos em nenhum lugar a respeito disso e também não nos avisaram nada nos outros monumentos. No entanto a nossa chateação passou na hora que começamos a ver o Taj através do portal. Meio bobos, fomos nos aproximando. E quanto mais nos aproximavamos mais fascinados ficávamos. Seria inútil tentar descrever com precisão o que é esse Taj Mahal. No meio da multidão, que mais parecia estar interessada em tirar mil fotos, nós dois ainda estávamos bobos com a grandiosidade e beleza desse túmulo.


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