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As Pirâmides
Por Má   
08 de novembro de 2006

Ao contrario do dia anterior, hoje acordamos bem cedo (07h30min). Sabíamos que este seria um dos grandes dias da viagem. Antes mesmo de acordarmos (umas duas horas antes) nossas malas chegaram! Ficamos radiantes! O Rafa saiu do quarto ainda meio tonto de sono para receber as malas. O carinha que trouxe as malas do aeroporto até o hotel tentou dar um golpe e disse que o rafa deveria pagar 20 pounds (aproximadamente 4 dólares) pelo serviço. Na hora o Rafa perguntou pra o carinha do hotel se isso estava certo e na frente do cara ele disse que se tratava de gorjeia. O Rafa então pagou só 5 pounds, isso por que estávamos muito felizes com as malas. O cara não gostou muito mas a gente também nem tinha gostado dele também!

Duas horas depois estávamos tomando café. Avisamos o carinha do hotel que estávamos prontos e em seguida descemos até a rua para encontrar nosso motorista. O carro dele era bem zoado, mas igual a todos os táxis por aqui. O motorista foi bem simpático, mas desde o inicio deu sinais claros de que esperava tirar uma boa grana com o nosso passeio. Uma das primeiras coisas que ele fez foi contar do passeio de camelo. Na hora já percebemos que ele não ficaria muito feliz ao perceber que essa não era nossa idéia, mas ficamos bem quietinhos pra continuarmos sendo bem tratados o dia todo, já que as pirâmides seriam o ultimo passeio do dia.

Paramos em cima de uma ponte para tirar uma foto do Nilo: muitos hotéis luxuosos, barcos-restaurantes para turistas endinheirados e alguns prédios formavam a paisagem em volta do rio. Seguimos para o nosso destino: Saqqara. No caminho passamos pela periferia do Cairo, que dá pra comparar com as favelas de SP. Prédios no tijolo, não acabados surgiam no meio do lixão. Ainda bem que o carro não quebrou por lá.

Depois de meia hora avistamos a pirâmide de degraus, a mais antiga de todas as do Egito. Dá pra entender o porquê está tão detonada. É tão velha que fica difícil imaginar como ainda está de pé. Saqqara foi um cemitério muito importante no Egito bem antigo. Vimos os túmulos dos primeiros faraós e seus familiares entre outros nobres que também foram enterrados por lá. No começo, antes da primeira pirâmide, as pessoas eram enterradas em uns caixotes de pedra chamados mastabas. Entramos em duas delas! O estado de conservação é inacreditável. Entre os desenhos na parede, tinha até uma vaquinha dando cria, de língua pra fora! Na outra tumba a decoração da parede era de estatuas em tamanho real, uma do lado da outra, também incrivelmente conservadas. O carinha que abriu a tumba pra a gente entrar, descaradamente pediu gorjeta e pra variar reclamou que só demos um pound, nem ligamos. Aqui todo mundo tenta te vender tudo o tempo todo, até sem você perceber que já comprou e que tem que pagar. Uma simples informação é considerada um produto para venda. Antes de entrar na primeira tumba, o Rafa desarmou o cara que nos levou até lá. Na hora que ele começou a dar explicações históricas que não havíamos pedido, o Rafa interrompeu o cara e perguntou se teríamos que pagar algo por isso. Ele respondeu que não, que se tratava de uma introdução grátis. Até achamos legal a explicação, mas não aceitamos a tour completa, até porque lá dentro tinha um guia explicando em inglês pra um turista, então aproveitamos pra prestar atenção nas informações que ele estava falando, mas é claro sem deixá-lo perceber!


De lá fomos para Dashur. Não estava incluso no nosso passeio, mas nada que 30 pounds a mais não resolvessem. No caminho o taxista fez uma burrice, abriu a porta do carro sem olhar para trás e quase que uma charrete cheia de mato e puxada por um pobre burrinho levou a porta do táxi embora. Pra nossa sorte a porta fechou. Meio capenga, mas cada um com seus problemas. E esse não era o dia de sorte do motorista, logo antes de ter sido atropelado pela charrete ele havia sido parado pela policia que descobriu que a sua carteira de habilitação estava vencida. Ficamos sabendo disso só depois...

Quase chegando a Dashur passamos por um bairro muito pobre que nos impressionou muito. Muita gente nas ruas (de areia e sujeira) pedaços enormes de carne pendurado ao lado dos boizinhos vivos, prontos para serem vendidos na rua mesmo. Também vimos um poço comunitário no meio da rua, o que significa que nas casas não há água encanada. Mulheres muito velhas e meninas muito novas carregando todo tipo de coisas grandes e pesadas na cabeça, desde cestas até latões com água. Homens de turbante e todas as mulheres de véus na cabeça.

Mas voltando a Dashur, lá é um lugar com varias pirâmides, estas já iguais as que todos conhecem. Apenas uma delas estava aberta à visitação. Ver pirâmides tão grandes e realmente no deserto foi muito legal. Não havia quase ninguém no lugar e era permitido entrar na pirâmide!!

É obvio que eu reclamei, mas o Rafa é teimoso e saiu correndo em direção ao buraco de entrada, metros acima. Para chegar lá dentro andamos dentro de um tunelzinho de mais ou menos 1,20m de lado numa rampa inclinada pra baixo. Foi um ótimo exercício para as pernas! Lá dentro é muito estranho, a parede é bem lisa e vai afunilando em níveis até o teto. Impossível acreditar como alguém construiu algo assim há tanto tempo atrás. O ar era horrível, cheio de pó além de escasso. Subir de volta não foi fácil, mas confesso que valeu a pena. Uma experiência inesquecível. Muito melhor do que entrar nas lotadas pirâmides de Giza. Arrisco dizer que ver as pirâmides vazias e realmente no meio do deserto talvez tenha sido mais legal do que estar rodeado de vendedores e turistas, na periferia do Cairo, onde se encontram as famosas pirâmides que todos já ouviram falar.

Saindo de lá passamos num pequeno museu em Memphis, o lugar onde no antigo período egípcio os Faraós iam morar. Na verdade não há mais nada lá, só uma imensa estatua de Ramses II, que de tão grande está colocada no chão na vertical, não de pé. O museu em si não é nada demais, mas só por essa estatua absurdamente gigante já valeu a pena.

Depois de Memphis foi a hora pra a primeira grande roubada da viagem, mas dessa vez com o nosso consentimento. Paramos num museu do papiro, que já é conhecido como a roubada master no passeio pras pirâmides. O taxista nos levou ao tal museu, onde você pode comprar papiros originais por preços "ótimos". Eu não queria nem entrar pra ver, mas o Rafa queria muito, e depois de ver como o papiro é feito (o Rafa sempre coloca a gente nessas roubadas) fomos convidados a dar uma olhada nos belos papiros mas sem compromisso. Conclusão: saímos de lá com três papiros. Bem legais tenho que admitir, mas não vou falar o preço por que tenho vergonha de admitir que caímos no golpe.

Depois de lá fomos pra a quase segunda roubada do dia: A história dos camelos. Logo depois de sairmos do museu (aqui vale a pena lembrar que esperamos por meia hora o nosso motorista que resolveu ir regularizar a carteira bem na hora que estávamos no museu do papiro) o nosso querido motorista nos levou até um beco horrível, onde tinham vários camelos e o cheiro também não era dos melhores. Disse que deveríamos descer ali para fazer o passeio de camelo nas pirâmides. Ficamos putissimos e dissemos que não queríamos fazer passeio de camelo nenhum. Nisso ele começou a ficar muito bravo e foi falar com o cara do estábulo de camelos, que veio com um papo furado de que era credenciado pelo ministério do turismo egípcio, que o espaço a ser percorrido em Giza era enorme e impossível de fazer a pé, e mais um monte de outras mentiras. Continuamos firmes, dizendo que não gostávamos de montar em animais, que éramos contra a exploração dos animais, que eu tinha medo de camelo e mais mil coisas pra eles desencanarem. Aí eles sugeriram da gente sair do táxi pra conversar, que ele ia nos mostrar que valia muito a pena, que só de pagar a entrada, a taxa por estar com a câmera, e o passeio a parte dentro já do parque ficaria muito mais caro e bla bla bla. É obvio que não saímos, afinal, se saíssemos o taxista ia dar o fora e nossa única opção seria ir de camelo. Posso dizer que o taxista estava soltando fumaça na hora que percebeu que não ia conseguir nos empurrar o passeio de camelo e assim ganhar uma comissão as nossas custas. Depois ouvimos varias pessoas dizendo que aplicaram o mesmo golpe com elas e muitas delas caíram, achando que se tratava de algo serio. Mas o pior é totalmente ilegal, por que não se entra no parque de Giza por uma entrada oficial, mas sim por um buraco aberto na cerca de aço, e por causa disso não é possível entrar em vários lugares em que é necessário apresentar o ticket... Ou seja, a maior roubada além de não ser barato. Essa história de te empurrarem coisas e te enganarem o tempo todo aqui no Egito enche muito o saco, além de ser super estressante e errado, mas enfim, é assim que as coisas funcionam por aqui.

Assim que o taxista nos deixou na frente da bilheteria, descobrimos a verdade: a entrada nem era tão cara assim e não tinha taxa nenhuma pra entrar com a câmera, era tudo a maior enganação. Ficamos aliviados e felizes por termos conseguidos escapar pelo menos de uma das inúmeras armadilhas que esses egípcios fazem todos caírem o tempo todo.

Agora vamos às pirâmides... Ta não posso negar que são incrivelmente grandes e bonitas, não posso negar que ver uma esfinge gigantesca não foi legal e que não mexeu nem um pouco comigo ver um lugar que eu sempre sonhei em conhecer. Mas não foi nem de longe tão mágico como eu achei que seria. O lugar fica no meio da periferia (bem pobre) do Cairo, e por isso fica no meio de uma cidade muito feia e suja. Além disso, estava tão cheio de turistas que era impossível tirar uma foto sem nenhuma pessoa no fundo. Isso sem falar nos vendedores que não nos deixavam em paz um minuto sequer. E em pessoas que se aproximavam de vc só pra de alguma forma conseguir uma gorjeta. Tudo isso nos deixou tão estressados que nem com a melhor boa vontade do mundo conseguimos ficar relaxados pra curtir o lugar, que por si só é incrível. Enfim, apesar de termos gostado muito, confesso que ficamos um pouco decepcionados.

Comemos numa rede de fast-food árabe muito boa (muito melhor que o habib's) pertinho do hotel, e o melhor super barata!

Nesta noite acabamos ficando no hotel mais uma vez. Estudando um pouco de história egípcia e também arrumando nossas coisas pra nossa primeira aventura aqui no Egito: o deserto do Saara. No dia seguinte acordaríamos bem cedo e pegaríamos um ônibus em direção a um oásis chamado Baharyia no meio do deserto do Saara.

Mais uma vez não conseguimos dormir cedo, mas pelo menos no dia seguinte dormiríamos no ônibus, afinal seriam 5 horas de viagem!

Comentários
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Faraós
Wanessa (Unregistered) 2014-04-08 16:11:43

Onde os faraós foram enterrados depois das pirâmides ?
oi
oipopoi (Unregistered) 2021-05-08 18:37:46

oi
Entrando na Pirâmide
Antonino Almeida Filho (Unregistered) 2008-11-08 18:51:36

Olá! Que interessante, agora no fim de outubro de 2008, também entrei na mesma pirâmide que vocês: a Pirâmide de Senefron, que vem a ser o pai de Queops, portanto mais antiga que a grande pirâmide. Tive exatamente a mesma impressão do seu relato, inclusive com a "mordida" do porteiro na entrada da pirâmide. Confesso que, no início da descida - que é muito longa e estreita - fiquei com medo, tive uma espécie de pânico, que logo passou. Bati várias fotos - é proibido mas o "porteiro" me autorizou, mediante um pequeno pagamento...Na verdade, essa aventura de entrar na pirâmide me deu grande satisfação. Pra finalizar...também caí na história da fábrica de papiros: comprei um com a imagem da Nefertiti, por um bom punhado de dólares...Um abraço.
greice (Unregistered) 2002-12-09 18:19:23

vou depois de amanha pro cairo. obrigada pelos toques, principalmente nao sair do taxi!!!!
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